Como as ferramentas tradicionais de acompanhamento dos sintomas ainda são relevantes atualmente

Em resumo

  • O acompanhamento de sintomas na psiquiatria promove o envolvimento do paciente e o autocontrole, ao mesmo tempo em que fornece aos profissionais de saúde (healthcare professionals, HCPs) informações valiosas sobre a evolução da doença de um paciente.
  • As ferramentas tradicionais de acompanhamento de sintomas provavelmente continuarão a ser valiosas no futuro em situações em que são mais adequadas às necessidades e preferências do paciente.
  • Olhando para o futuro dos cuidados psiquiátricos, os métodos tradicionais de acompanhamento dos sintomas e as ferramentas digitais de saúde mental podem ser vistos como peças complementares no kit de ferramentas do psiquiatra para fornecer uma forma de tratamento mais holística e personalizada.
Acompanhamento tradicional de sintomas

 

O acompanhamento dos sintomas na psiquiatria promove o envolvimento do paciente e o autocontrole, ao mesmo tempo em que ajuda os HCPs a monitorar o estado do paciente, identificar gatilhos e planejar intervenções – todas destinadas a melhorar o prognóstico do paciente.1 Além disso, eventos, pensamentos, comportamentos, emoções e reações psicológicas clinicamente relevantes que podem não estar acessíveis à observação externa nem ocorrer em sessões de terapia podem ser monitoradas no dia a dia do paciente.1 O registro em tempo real dos sintomas permite que pacientes e HCPs desenvolvam um quadro mais preciso dos estados da mente em longo prazo.1

Simples em formato, eficaz na entrega: Visão geral dos métodos tradicionais de acompanhamento de sintomas

É importante nos lembrar de que esses métodos tradicionais de acompanhamento de sintomas são relativamente baratos e exigem muito poucos recursos do HCP.1 Por exemplo, para pacientes com transtorno bipolar, formulários de rastreamento em papel incluem diários, notas adesivas, gráficos, e calendários.2 Além disso, proporcionar aos pacientes com transtornos psiquiátricos a responsabilidade de monitorar seu próprio humor permite que eles se tornem participantes ativos na tomada de decisão compartilhada com seus profissionais de saúde.3 O aumento da variabilidade nas classificações de humor pode prever episódios depressivos futuros, o que pode facilitar intervenções oportunas e melhorar o prognóstico do paciente.4 A Métrica do Ritmo Social (SRM-5) é uma ferramenta que os pacientes com transtorno bipolar usam para registrar suas classificações de energia em cinco momentos principais durante o dia.5 Ritmos circadianos interrompidos podem levar a episódios de humor em indivíduos vulneráveis; no entanto, ao definir metas específicas para estabilizar os ritmos diários em colaboração com o HCP, os pacientes podem estabilizar seus ritmos diários, o que foi associado à melhora sintomática.5

O uso combinado de ferramentas digitais e métodos tradicionais pode melhorar significativamente o atendimento ao paciente.

Alguns podem argumentar que o advento das terapias digitais substituirá as ferramentas mais tradicionais;6 no entanto, o uso sustentado desses métodos tradicionais de acompanhamento de sintomas pode ser benéfico por dois motivos principais. Em primeiro lugar, a experiência com o uso pode informar e potencialmente acelerar o desenvolvimento da ferramenta digital.5 Em segundo lugar, as ferramentas tradicionais podem ser um complemento útil para as ferramentas digitais. Considere, como exemplo, o uso de avaliação ecológica momentânea (ecological momentary assessment, EMA) como um meio de reunir dados clínicos e funcionais por meio de amostragem “no momento”.7 O uso da EMA é uma demonstração de que a integração de ferramentas tradicionais de monitoramento de sintomas e ferramentas digitais pode facilitar as avaliações de sintomas em pacientes com esquizofrenia ou transtorno bipolar.7 Além disso, a EMA pode ser um adjuvante valioso para estudos de tratamento, incluindo abordagens psicossociais e farmacológicas. Ferramentas de acompanhamento, como a EMA, destacam o potencial das ferramentas tradicionais como um complemento útil para ferramentas digitais, ao fornecer um kit de ferramentas mais completo para cuidados mais holísticos e personalizados,5 com o objetivo final de permitir que pessoas com transtornos mentais prosperem.

Leitura adicional

  • Matthews M, et al. Development and Evaluation of a Smartphone-Based Measure of Social Rhythms for Bipolar Disorder. Assessment 2016;23:472–483.
    A review discussing the Social Rhythm Metric and its potential in the digital age.
  • McManus F, et al. Examining the effects of thought records and behavioral experiments in instigating belief change. J Behav Ther Exp Psychiatry 2012;43:540–547.
    The power of thought records to instigate belief change.
  • Torous J, et al. The growing field of digital psychiatry: current evidence and the future of apps, social media, chatbots, and virtual reality. World Psychiatry 2021;20:318–335.
    O uso de aplicativos, redes sociais, chatbots e realidade virtual na psiquiatria: O que o futuro reserva?

Cite este artigo como Traditional Symptom-Tracking Tools. Connecting Psychiatry. Publicado em maio de 2023. Acessado em [dia mês, ano]. [URL]

  1. Proudfoot J & Nicholas J. Monitoring and evaluation in low intensity CBT interventions. In Oxford guide to low intensity CBT interventions, 1st ed., 2010; pp. 97–104.

  2. Murnane EL, et al. J Am Med Inform Assoc 2016;23:477–484.

  3. Hong RH, et al. Neuropsychiatr Dis Treat 2021;17:79–90.

  4. Nahum M, et al. JMIR Mhealth Uhealth 2017;5:e44.

  5. Matthews M, et al. Assessment 2016;23:472–483.

  6. Dang A, et al. J Family Med Prim Care 2020;9:2207–2213.

  7. Harvey PD, et al. Innov Clin Neurosci 2021;18:24–30.

SC-US-75163

SC-CRP-13470

Abril de 2023

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