Exercício e a melhora na saúde mental: um novo movimento
A série Factor It In iluminará as influências sobre a saúde mental que, sem dúvida, merecem mais atenção, como exercícios e atividade física. Você receberá novas perspectivas por meio de uma discussão sobre os fatores que afetam o desenvolvimento de condições graves de saúde mental e uma revisão da literatura sobre o impacto na evolução da doença; em última análise, você pode usar esse conhecimento para informar as discussões com seu paciente.
Em resumo
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O médico grego Hipócrates foi a primeira personalidade médica registrada a fazer uma prescriçao por escrito de exercícios para o tratamento de uma condição de saúde, declarando que “andar é o melhor remédio do homem”.8,9 Em um mundo cada vez mais sedentário, os benefícios dos exercícios regulares não podem ser subestimados. Enquanto a medicina moderna revolucionou o tratamento de quase todas as condições de saúde, incorporar atividades físicas em nossas rotinas pode ter benefícios terapêuticos para muitos aspectos de nossas vidas, como o controle do peso, aumento da energia e melhora da saúde mental.10,11 Na verdade, a Associação Psiquiátrica Europeia, a Associação Alemã de Psiquiatria, Psicoterapia e Psicossomática e a Associação Americana de Psiquiatria atestam os benefíficos dos exercícios para a saúde mental e recomendam a incorporação de rotinas de exercícios em planos de tratamento para pessoas com transtornos mentais.12–14 Neste artigo, exploramos como os exercícios afetam a neurofisiologia, aliviam o impacto dos sintomas e melhoram a qualidade de vida das pessoas.
A distinção entre atividade física e exercícios físicos
Embora atividades físicas e exercícios físicos sejam usados de forma intercambiável com frequência, cada termo descreve conceitos distintos que são essenciais para sua aplicação na medicina.15 A comunidade médica define atividade física como qualquer movimento corporal produzido pelo músculo esquelético que resulta em gasto de energia, enquanto o exercícios físicos compreendem um subconjunto de atividades físicas planejadas, estruturadas, repetitivas, com foco em manter a boa forma física.9 Exercícios físicos podem assumir muitas formas, desde andar de bicicleta ou levantar pesos a uma partida semanal de futebol com amigos.
O impacto dos exercícios na bioquímica e estrutura do cérebro
Estudos de neuroimagem mostraram padrões anormais de atividade em regiões cerebrais, como o hipocampo, a amígdala e algumas regiões do córtex cerebral, em pacientes com transtornos mentais, em comparação com indivíduos saudáveis.16 No nível de circuitos neurais, os transtornos mentais podem prejudicar aspectos fundamentais da plasticidade neural que, por sua vez, afetam negativamente o fluxo e o processamento de informações no cérebro, dando origem a sintomas neurocomportamentais.1
É importante ressaltar que evidências recentes sugerem que os exercícios podem estimular alterações fisiológicas centrais no cérebro, que incluem aumento da neurogênese, plasticidade e conexões neurais.2 Além disso, foi demonstrado que exercícios aeróbicos promovem alterações volumétricas nas principais estruturas cerebrais comumente afetadas em transtornos mentais, incluindo o córtex pré-frontal e estruturas subcorticais e temporais, incluindo o hipocampo.2-4 Portanto, rotinas de exercícios podem ser ferramentas poderosas para o tratamento de transtornos mentais.
O impacto potencial do exercício na saúde mental e nos resultados comportamentais
Indivíduos com problemas de saúde mental graves, como esquizofrenia, transtorno bipolar ou transtorno depressivo maior geralmente passam menos tempo participando de atividades físicas moderadas a vigorosas, ao contrário, passam mais tempo sedentários durante as horas de vigília do que seus equivalentes saudáveis.7 Portanto, incorporar exercícios estruturados em rotinas semanais pode facilitar a melhora da saúde mental.7
Na verdade, exercícios de rotina impactam os resultados dos pacientes, reduzindo a carga de sintomas, melhorando a saúde mental e aumentando a qualidade de vida de indivíduos com condições de saúde mental.9,18 Tanto o exercício aeróbico quanto o treinamento de força demonstraram melhorar o funcionamento global e ocupacional, a flexibilidade cognitiva, a memória declarativa verbal de curto prazo e a cognição global em pacientes com esquizofrenia, bem como reduzir a incidência de episódios psicóticos.5–7,19 Indivíduos com transtorno depressivo maior também obtêm benefício do exercício regular.20 Jovens e adultos jovens com transtorno depressivo maior relataram benefícios moderados do exercício em sua saúde mental geral, incluindo redução da gravidade e incidência de sintomas depressivos, enquanto adultos mais velhos relataram uma redução moderada na gravidade dos sintomas depressivos quando um regime de exercícios foi adicionado à sua rotina.21
Algumas evidências sugerem que a intensidade do exercício é importante. Exercícios rigorosos em alta intensidade ou por muito tempo podem ser prejudiciais à saúde mental.22 Portanto, exercícios de intensidade moderada podem ser ideais e, em última análise, a forma mais benéfica de exercícios para melhorar a saúde mental geral.
Uma mente saudável em um corpo saudável
Os inúmeros benefícios do exercício para a saúde, incluindo melhorias na saúde mental, foram observados desde a antiguidade, em muitas culturas ao redor do mundo.9,23 O princípio está bem resumido na frase em latim “mens sana in corpore sano” (mente sã em corpo são).24 Evidências crescentes mostram que o exercício pode reduzir a carga dos sintomas e melhorar a qualidade de vida de pessoas com condições de saúde mental.2,15 Considerados juntos, um corpo saudável leva a uma mente saudável, e incluir exercícios como parte dos planos de tratamento para indivíduos que lutam contra transtornos de saúde mental devem ser considerados como uma faceta importante do atendimento ao paciente.
Leitura adicional
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Resultados do estudo clínico controlado randomizado ESPRIT C3 que avalia o impacto de dois regimes de exercícios ativos separados nos sintomas da esquizofrenia. - Smith PJ and Merwin RM. The role of exercise in management of mental health disorders: An integrative review. Annu Rev Med 2021;72:45–62.
Uma revisão focada nos impactos da atividade física no tratamento de transtornos mentais e no impacto dos sintomas. - Schuch FB and Vancampfort D. Physical activity, exercise, and mental health disorders: it is time to move on. Trends Psychiatry Psychother 2021;43:177–184.
Uma revisão das evidências de que a atividade física pode prevenir distúrbios mentais, o papel da atividade física na promoção da saúde geral e a prática de exercícios como estratégia para controlar os sintomas mentais.
Cite este artigo como Factor It In: A New Movement for Mental Health. Publicado em maio de 2024. Acessado em [dia mês, ano]. [URL]
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SC-CRP-15096
February 2024
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