Possíveis barreiras e facilitadores para a adoção da psicoterapia

Em resumo

  • Apesar da ampla gama de opções de psicoterapias disponíveis para pacientes com transtornos mentais, barreiras potenciais podem limitar sua utilização
  • Dar o primeiro passo para dentro da sala de terapia pode se tornar mais difícil por dificuldades de acesso, estigma, dependência de mecanismos de enfrentamento existentes e experiências negativas anteriores.
  • O impacto positivo do apoio moral de um amigo ou familiar não pode ser ignorado quando se toma a decisão de iniciar a terapia, enquanto um relacionamento de confiança entre paciente e terapeuta é o que mantém o engajamento.
  • Há vários passos que os terapeutas podem tomar para construir e manter a aliança terapêutica e melhorar os resultados da psicoterapia.
Psicoterapia

 

A psicoterapia é um pilar do tratamento na psiquiatria, com intervenções psicológicas recomendadas como a abordagem terapêutica principal para uma variedade de transtornos mentais, como o transtorno de personalidade borderline.1 Com a ampla variedade de tipos e ambientes de terapia disponíveis, as intervenções psicológicas podem ser selecionadas ou combinadas para atender às necessidades e preferências individuais do paciente.1,2 Por que, então, ainda existem barreiras para iniciar a terapia?

O primeiro passo evasivo: Quais são as possíveis barreiras para os pacientes iniciarem a terapia?

Com apenas uma em cada cinco pessoas com transtornos mentais buscando apoio profissional, é importante entender por que tantas pessoas se sentem incapazes ou não dispostas a entrar na sala de terapia.3 As pessoas geralmente experimentam barreiras internas e externas na busca de terapia:4–7

“Pensei, não posso pagar por isso agora.” (mulher de 45 anos de idade)4
A terapia é cara, particularmente em países onde o tratamento não é subsidiado. Portanto, não é uma surpresa que os pacientes adiem a busca de ajuda devido a preocupações com a acessibilidade financeira e ao impacto no orçamento.4–7

“[Psicoterapia] é pouco comentada. As pessoas tratam como um segredo.” (mulher de 26 anos de idade)4
A vergonha e o estigma associados a problemas de saúde mental impedem que muitas pessoas busquem terapia.4–7

“Não fui à terapia por metade de um ano porque, naquela época, eu estava me sentindo muito mal. Substituí a terapia pelo aconselhamento masculino durante este tempo.” (homem de 28 anos de idade)4
Muitas vezes, as pessoas tentam resolver os seus próprios problemas de saúde mental por conta própria ou tentam encontrar formas alternativas de lidar com ieles que as mantenham funcionando no curto prazo.4–6

“Eu tive um terapeuta que apenas acenava com a cabeça, como mhm, mhm, mhm.” (mulher de 20 anos de idade)4
Uma das barreiras mais frequentemente relatadas ao acesso à terapia é uma experiência negativa anterior com psicoterapia. Os pacientes relatam sentir-se mal compreendidos ou não terem recebido respostas satisfatórias do terapeuta anterior.4–6

Percorrendo o caminho: facilitação do início da terapia

Fazer os pacientes iniciar uma terapia pode parecer algo muito difícil, mas muitos fatores promovem atitudes positivas e aumentam a disposição a participar da psicoterapia:4,6

“Tenho um bom amigo que vai regularmente ao terapeuta e falamos um pouco sobre isso. Foi quando eu disse, OK, agora preciso lidar com isso e procurar ajuda.” (mulher de 36 anos de idade)4
O facilitador mais comum, disparado, é receber apoio moral de outras pessoas que recomendam buscar psicoterapia e compartilham experiências sobre como encontrar um psicoterapeuta.4,6

A maioria dos pacientes afirma que teve um ponto de crise em seu sofrimento, o que levou a um desejo de mudança e à busca de tratamento.4,6

“Eu fiquei impressionado por ela ter dito: você não precisa ficar aqui [na psicoterapia]. Você pode dizer: isso não me serve. Como alternativa, você sempre pode dizer que isso não funciona mais para mim. Então, senti que poderia dizer isso a ela a qualquer momento, e isso inspirou muito a confiança em mim quando a vi pela primeira vez.” (mulher de 26 anos de idade)4
A relação paciente-terapeuta pode fazer a experiência da terapia ser boa ou ruim. Ter uma impressão positiva desde as sessões iniciais e sentir-se imediatamente confiante com um terapeuta são os fatores que ajudam os pacientes a seguir a terapia.4

A aliança terapêutica é um forte preditor de resultados da psicoterapia em longo prazo.8 Embora o envolvimento do paciente seja fundamental para a construção dessa aliança, os comportamentos dos terapeutas também contribuem significativamente para o sucesso da psicoterapia.8 A força-tarefa da Associação Americana Psicológica sobre relações e responsividade à psicoterapia baseada em evidências (American Psychological Association Task Force on Evidence-Based Psychotherapy Relationships) recomenda as seguintes práticas clínicas para manter a aliança terapêutica:8

  • Criar uma ligação emocional acolhedora ou ligação colaborativa com o paciente
  • Chegar a um acordo quanto às metas e tarefas da terapia logo no início; ser flexível para negociar as metas
  • Ser responsivo às capacidades, problemas individuais e preferências do paciente
  • Enfrentar desafios direta e imediatamente

Leitura adicional

  • Schaffler Y, et al. Perceived Barriers and Facilitators to Psychotherapy Utilisation and How They Relate to Patient’s Psychotherapeutic Goals. Healthcare (Basel) 2022;10:2228.
    Barreiras e facilitadores para a utilização de psicoterapia, conforme relatado pelos pacientes.
  • King’s College London. Barriers to accessing talking therapies for service users from racial and ethnic minority groups. Disponível em: https://www.kcl.ac.uk/barriers-to-accessing-talking-therapies-for-service-users-from-racial-and-ethnic-minority-groups.
    Acesso à terapia: a desigualdade experimentada por pessoas de origem racial e étnica minoritária.

Cite este artigo como Psychotherapy. Connecting Psychiatry. Publicado em maio de 2023. Acessado em [dia mês, ano]. [URL]

  1. Bateman AW, et al. Lancet 2015;385:735–743.

  2. Storebø OJ, et al. Cochrane Database Syst Rev 2020;5:CD012955.

  3. Doll CM, et al. BMC Psychiatry 2021;21:432.

  4. Schaffler Y, et al. Healthcare (Basel) 2022;10:2228.

  5. Andrade LH, et al. Psychol Med 2014;44:1303-1317.

  6. Kantor V, et al. Clin Psychol Rev 2017;52:52-68.

  7. Mohr DC, et al. Ann Behav Med 2006;32:254-258.

  8. Flückiger C, et al. Psychotherapy (Chic) 2018;55:316–340.

SC-US-75164

SC-CRP-13469

Abril de 2023

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